14.2.07

A carteira de Velcro

Esses dias estava eu num restaurante bem bela almoçando. Fui pagar a conta, abri minha carteira e créééééch! Pensei com meus botões da minha camisa nova: “preciso trocar essa carteira. Que antiga”.

Não dou muita bola pra essas coisas, tipo carteira, cinto, prendedor de cabelo. Quando vejo que estou muito atrasada, aí dou um jeito de melhorar. E só esses dias caiu a ficha do quanto remota era a minha carteira, apesar de ser de excelente artigo. Boa qualidade, mas tosca; do tempo do “Ari pistola”, pra usar uma expressão tão atrasada quanto.

Paguei e saí, me sentindo a criatura mais antiquada da cidade. Vim pensando que, na verdade, meu subconsciente já armazenava a informação de que minha carteira era tosca, porque há um tempo eu tinha o dinheiro no bolso. Pensei, pensei e cheguei a conclusão de que eu já tinha vergonha do crééééch da carteira. Aí encontrei a minha irmã na rua e fomos comprar algo no mercado. Aí eu disse pra ela: “Gabi, uma hora dessas preciso trocar a minha carteira de dinheiro por uma mais moderna”. E a Gabi, pra acabar comigo, largou: “Não tem coisa mais medíocre, mais anti-sexy, mais feia e mais estraga prazer do que uma mulher toda chique estar num restaurante e pagar a conta com aquelas carteiras de velcro. É muito deselegante”. Minha moral foi lá embaixo e senti meu rosto ficar naquele calor. Aí eu cochichei com ela “é exatamente por isso que preciso trocar a minha”.

Do alto da pose, do loiro do cabelo, do olho azul e da altura (fico sempre um palmo abaixo da minha irmã, com a altura do salto dela) ela me olhou e falou baixinho: “meeeeeu Robes, eu não acredito!”. Bom, foi, falei. Fiquei me auto-tirando-sarro por uma semana (e com vergonha de mim mesma), até comprar uma carteira nova.

Minha mãe deu um dinheiro para eu comprar meus presentes de natal. Um deles foi a tal carteira. Fui na loja e, ao contar pra mulher que minha carteira ainda era de velcro, ela começou a rir na minha cara. Vendeu-me uma carteira, que achei bem chique e, depois, quando cheguei em casa, minha irmã havia ganho uma de sua chefe que era quase igual a minha – e mais bonita.

Enfim. Pensei em me contentar com a minha carteira nova. Fazer o jogo do contente ou criar amor pelo que é teu (como quando tu compra o primeiro carro com o teu dinheiro e acha aquele passatão a coisa mais linda do planeta). Pelo menos ela (a MINHA CARTEIRA!!!) era das tais “elegantes” e fecha com um botão. Só que já está explodindo de tanto entulho. É cartão de crédito, cartão de plano de saúde (tem até carteira pro SUS agora) e tem ainda os cartões de “sócia de alguma coisa”. Mais talão de cheque, identidade, CPF, foto da família, os pilas (que é o que menos ocupa espaço) e as moedas. Pronto! Já não fecha o botão.

Mas ainda assim continuo feliz. Pelo menos na frente da balconista ou recepcionista, ou caixa e sei-lá-o-quê, a minha carteira não faz mais aquele barulho assustador. De qualquer modo, vi que uns amigos meus ainda têm carteira de velcro (mas descobri que eles são vegetarianos e se recusam a usar couro, então compraram aquelas antigas que todo o guri de uns 10 anos atrás tinha: colorida e.... tcharan?!?!?!?!: de velcro).

Toda essa conversa mansa é pra dizer que, ou você se enquadra nos padrões, ou arca com as conseqüências. Nesse caso preferi aderir. Mas nem em todos.

2 comentários:

Paulo Wagner disse...

Gosto de carteiras de velcro, tambem comprei uma nova esta semana, mas nao cabe nada, é mal procurar outra com velcro ?

Anônimo disse...

Eu já iá comprar carteira de velcro essa semana. Mudei de ideia. ..Afinal não estou mais nos anos 90 ( carteira da OP)todo mundo tinha uma. Sou tiozinho já. .carteira tem que ser de couro e botão mesmo.